O que é acalasia?
A acalasia consiste na destruição de células ganglionares do sistema nervoso ligadas ao músculo do esôfago, prejudicando a função desse órgão. Geralmente, essa doença acomete indivíduos com idade entre 25 e 60 anos.
Pacientes com acalasia possuem a função peristáltica do esôfago prejudicada, atrapalhando a alimentação.
O que causa a acalasia?
A causa é desconhecida, mas estudos sugerem que possa estar relacionada a processos autoimunes e/ou infecciosos em indivíduos com suscetibilidade genética. No Brasil, é comum a associação com a doença de Chagas.
Quais são os sintomas da acalasia?
A acalasia evolui com uma dilatação progressiva, dificultando a passagem do alimento do esôfago para o estômago.
Os sintomas incluem dificuldade para engolir, regurgitação, dor no peito e emagrecimento. A regurgitação ocorre quando os alimentos engolidos ficam “trancados” no esôfago dilatado.
Na doença avançada, podem surgir bronquite, pneumonia ou abscesso pulmonar devido à regurgitação e aspiração pulmonares.
Quais as complicações associadas?
A pior complicação é o desenvolvimento de câncer de esôfago. Por isso, pacientes com acalasia devem fazer acompanhamento com médico especialista por toda a vida.
Como é o diagnóstico?
A acalasia deve ser diferenciada de condições como pseudoacalasia e espasmo esofágico.
O diagnóstico é realizado pela radiografia com deglutição de bário e/ou pela manometria esofágica. A endoscopia também é importante para investigação.
Como funciona o tratamento?
A acalasia não pode ser revertida. O objetivo das intervenções é reduzir a pressão do esfíncter esofágico inferior, permitindo a passagem de alimentos para o estômago — pois a peristalse natural não pode ser recuperada.
A pressão pode ser reduzida por medicamentos, dilatação com balão pneumático ou miotomia cirúrgica/endoscópica (POEM). A escolha depende das características individuais e da gravidade.
Medicamentos: nitratos e bloqueadores dos canais de cálcio. São relativamente ineficazes e considerados tratamentos de exceção.
Toxina botulínica: a injeção endoscópica promove relaxamento do esfíncter, facilitando a passagem do alimento.
Dilatação pneumática: técnica endoscópica com balão posicionado no esfíncter esofágico inferior. A principal complicação é a perfuração (0,5 a 5%).
Miotomia cirúrgica: o principal procedimento é a miotomia laparoscópica à Heller, geralmente combinada com fundoplicatura parcial antirrefluxo. Apresenta bons resultados na maioria dos casos.
POEM: miotomia endoscópica, alternativa à cirúrgica. Desvantagem: impossibilidade de criar válvula antirrefluxo; principal evento adverso é o refluxo.
Em pacientes graves, em que esses procedimentos não são efetivos, o tratamento envolve a ressecção do esôfago com reconstrução com estômago ou interposição de um segmento do cólon.
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Agendar pelo WhatsAppConteúdo revisado por Dr. Geraldo Odilon Filho · Cirurgião Geral e do Aparelho Digestivo · CRM-PE 23.549
